sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

dicionario goiano

Os verbetes abaixo servem para todo o estado de Goiás principalmente para o interior goiano!
Anêim – Algo que parece ter vindo de ‘Ah, não!‘, que virou ‘Ah, nem!’ Mas às vezes é simplesmente usado na frase com um sentido de desagrado. Quando vejo escrito por aí, vejo o povo escrevendo ‘anein’, ‘aneim’, ‘anêim’ e outras variantes. Ex.: se eu ia viajar com a turma e de repente não posso mais, alguém exclama: Anêeeim! Que pena!’
Armonca Almôndega, bola de carne moída.
Arvre – Árvore
Arvrinha – Árvore pequena.
Arvrona – Árvore grande.
Barriga-verde – Como já ouvi aqui em Goiás, ‘pra baixo de São Paulo todo mundo é gaúcho’; portanto o termo barriga-verde nada tem a ver com o usado no sul, que significa ‘catarinense’. Barriga-verde aqui é um novato, alguém que ainda está ‘cru’ numa determinada coisa.
Bão? – Goianês para ‘Tudo bem?‘ Também é usada a forma ‘bããããão’?
Bão mesmo? – É comum usar o ‘mesmo?‘ depois de coisas como ‘e aí, tá bom/bão’, como se pedisse uma confirmação de que a pessoa tá bem e não apenas fingindo que está bem.
Brabo – Bravo, nervoso, mau.
Caçar – Procurar. Goiano não procura, goiano caça. Ex.: ‘Estive te caçando o dia inteiro’. ‘Não sei onde está, mas vou caçar esse papel para você.’
Calçada – Pode significar: 1. Lugar para estacionar carros; 2. Local onde se colocam as mesas dos botecos e restaurantes. Note que não existe em Goiás calçada no sentido de lugar para pedestre, pois não sobra espaço para pedestres entre os carros e as mesas (e mesmo tendo, os pedestres só andam no meio da rua).
Chega dói - Chega a doer. Ex.: Deixa eu te falar, essa luz é tão forte que chega dói a vista. Na verdade essa forma pode ser usada com quaisquer outros verbos combinados com o verbo ‘chegar’. Ex.: chega arranha, chega machuca, chega engasga.
Chega doeu - Chegou a doer, ou seja, o passado de “chega dói“.

Coca Média – Refrigerante médio é o de garrafinha de 290ml. Ou seja, o menor que costuma ser vendido em restaurantes. Nota: Na última vez em que estive em São Paulo pedi uma coca média, por costume adquirido em Goiás e a ‘muié’ ficou me olhando sem entender.
Corguim – Lê-se córrr-guim. Diminutivo de corgo.
Corgo – Lê-se córrr-go. Córrego.
Coró – mesmo que mandruvá.
Custoso – Na definição dela significa teimoso. Como se fosse algo que dê trabalho. ‘Esse moleque é custoso demais da conta!’ alguém custoso seria alguém que apronta muito!
Dar rata – Algo como cometer uma gafe.
Deixa eu te falar – Com a variação “Ow, deixa eu te falar“. Introdução goiana para um assunto sério. Nunca, mas nunca mesmo, chegue para um Goiano falando diretamente o que você tem que falar. Primeiro você tem que dizer “ow, deixa eu te falar“, para prepará-lo para o assunto. Em Goiás você precisa seguir o ritual de uma conversação. Ex.: ‘E aí, bão? E o Goiás, hein? Perdeu! Tem base? É por isso que eu torço pro Vila. Oww, deixa eu te falar, lembra aquele negócio que eu te pedi…‘ A forma abreviada é “te falar“.
Demais da conta – Em Goiás, deve-se evitar utilizar a palavra ‘demais’ isolada. A forma correta é ‘demais da conta’. Ex.: ‘Gosto disso demais da conta!’. ‘Conheço a região demais da conta!’
De sal – Salgado. Ex.: Pamonha de Sal. (Eu jurava que era de milho… dãã)
De doce – Se ‘de sal’ é salgado, então ‘de açúcar’ é doce, certo? Errado! Em Goiás as coisas não são doces, elas são de doce.
Disco – Um tipo de salgado frito.
Encabulado – Impressionado. Ex.: Estou encabulado que você nunca tenha ouvido alguém falar ‘chega dói’ antes.Fiquei impressionado (ou encabulado, em goianês) com a quantidade de gente que não entendeu esse verbete aqui. Chegam a colar a definição do dicionário, como que querendo provar que a palavra existe! Mas a palavra existe mesmo, eu nunca disse que não! Só não tem, no dicionário, o sentido usado no Goianês. Isso é igual explicar piada!
Fi – Creio que vem de ‘Filho’, é usado no fim da frase, como se fosse um ‘tchê’ gaúcho ou um ‘meu’ paulista. Ex.: ‘Esse é o melhor, fi!’, ‘Nossinhora, fi! Bão demais da conta!’.
Final de tarde – Sabe aquela mania chata das propagandas de uma marca de cerveja de tentar mudar a quarta-feira para Zeca-Feira e o Happy Hour para Zeca-Hora? Pois é, ao menos o Happy Hour já foi aportuguesado por aqui. Chama-se ‘Final de tarde’, e na prática é o happy hour: você sai do trabalho e vai tomar uma com os amigos. Acompanha espetinho e feijão tropeiro, é claro!
Madurar – Amadurecer.
Mais – substituto goiano da conjunção ‘E’. Ex.: Eu mais fulano estamos no Goiás.
Mandruvá- Mandorová.
Muié: Esposa ou qualquer humano do sexo feminino.
Na Goiânia – Em Goiânia.
Na Serra, ou no Serranópi – Em Serranópolis (minha cidade)
No Goiás – Em Goiás.
Num dô conta – Pode ser traduzido como Não consigo, Não sei, Não quero, Não gosto, etc. No resto do país, “não dar conta” é usado mais no sentido de ‘não aguentar’. Por exemplo: Não dei conta do recado, ou Não dou conta de comer isso tudo sozinho. Já aqui em Goiás é usado para quase tudo. Ex.: Num dô conta de falar inglês (‘não sei falar inglês’); Num dô conta de continuar em Goiânia nas férias (‘Não quero/não aguento continuar em Goiânia nas férias); Num dô conta de imprimir usando esse programa (‘não sei imprimir usando esse programa’).
Ou quá? – Algo como ‘ou o quê?’. Ex.: ‘Você vai sair com a gente ou quá?’
Piqui – Pequi, fruto típico de Goiás, bastante usado na culinária Goiana. 
Pit Dog – Uma espécie de filho bastardo de uma lanchonete com uma barraquinha de cachorro-quente. Apesar desse nome estranho, os sanduíches são muito bons!
Prenha – Grávida. Ex. ‘A filha do padeiro tá prenha’.
Quando é fé – Algo como “de repente” ou “até que”. Ex.: ‘Estava no consultório do dentista, ouvindo aquele barulhinho de broca, e quando é fé sai um meninin chorando de lá.’
Queijim – Rotatória. 
Tá boa? – Goianês para ‘Tudo bem?’ usado para mulheres. Em outras regiões do Brasil seria interpretado de outra forma… 
Tem base? – Expressão tão goiana que existe até em slogan impresso em bandeiras e camisetas exaltando o estado: ‘Sou goiano. Tem base?’. Pode ser traduzido como ‘Pode uma coisa dessas?‘, só que usado com muito mais frequência.
Toda vida – Ir direto, sem parar. Ex.: Pega aquela rua toda vida que você vai chegar numa praça, é lá!
Trem – Qualquer coisa pode ser chamada de trem, inclusive um trem. Ex.: ‘Ôôô trem bão!’ (ô, coisa boa!) Já ouvi até mesmo a seguinte declaração de amor: ‘Te amo, Trem!’.
Uai – Palavra que normalmente não tem sentido, mais ou menos como o tchê do gaúcho. Usado normalmente em respostas. Ex.: Pergunta: Goiano, você vai à festa hoje?; Resposta: Uai, vou!.
Dá impressão que o uai é parecido com o ué usado em outras regiões. Mas o ué muitas vezes é usado no caso de a pessoa achar a pergunta estranha. 
Voadeira – Voadora (o golpe, agressão).
Vende-se este – Aqui em Goiás é muito mais comum ver placas dizendo ‘Vende-se Este’ colada num carro, do que simplesmente ‘Vende-se’. É como se quem escreveu pensasse ‘vende-se? Vende-se o que?’, mas também ficasse com preguiça de escrever ‘Vende-se este carro’. Fica o meio termo.

Pronto! Creio que com esse pequeno glossário, você já pode vir no Goiás, comer no Pit Dog sem dar rata e, quando é fé, sentar à sombra de uma arvrona na beira do corguim! Só toma cuidado pra não deixar prenha as filhas de ninguém porque o povo daqui é muito brabo!
Se vocês souberem mais, deixem nos comentários!!!!

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